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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O SERVIR


O serviço cristão é uma das formas mais eficazes de testemunho da igreja. A atuação dos cristãos da igreja em Jerusalém para o serviço resultou na conversação de muitas pessoas (At. 2.47). No estudo desta semana veremos a respeito da relevância do serviço cristão. No início do estudo definiremos o significado bíblico-teológico de serviço. Em seguida, ressaltaremos o exemplo de Cristo a ser seguido na execução do serviço. Ao final, refletiremos sobre a prática do serviço cristão na igreja primitiva em Jerusalém.

1. SERVIÇO CRISTÃO, DEFINIÇÕES: No Antigo Testamento, o termo hebraico para serviço é abad, usando tanto no contexto religioso quando de trabalho. Um exemplo de serviço é a condição de servidão de Esaú em relação a Jacó (Gn. 25.23). Quando o termo serviço, em hebraico, está relacionado ao contexto religioso, tem o sentido de adoração. O verbo hebraico sarat também denota “ministrar, servir, oficializar”, comumente usado para se referir aos trabalhos realizados no palácio real (II Sm. 13.17; I Rs. 10.5) ou nos serviços públicos (I Cr. 27.1; 28.1; Et. 1.10) Sarat aponta para a condição de “ministro” ou “servo”, como Josué que servia a Moisés (Ex. 24.13; 33.11; Nm. 11.28) e aos anjos que servem a Deus (Sl. 104.4) O conceito bíblico de serviço, No Novo Testamento, vem do grego diakonia, do verbo diakoneo, e diz respeito, inicialmente, ao ato de servir às mesas (At. 6.1-6), serviço ministrado pelos diáconos (I Tm. 3.10,13). O ato de Jesus ter entregue a Si mesmo pelos outros é descrito como um ato de serviço (Mt. 20.28). O verbo douleuo, em grego, também se refere ao serviço do cristão, com uma singularidade, esse termo também é usado para “ser escravo”, ou de “alguém que se conduz em total serviço ao próximo”. Jesus destaca, em Mt. 6.24, que ninguém pode servir a dois senhores. Em Rm. 6.6, Tt. 3.3 e Gl. 4.8,9 Paulo explica que todos aqueles que se encontra fora da esfera da graça são servos do pecado. Mas quando passamos a servir a Cristo, passamos a servir uma ao outro em amor (Gl. 5.13). Em sentido amplo, o serviço cristão não está restrito àqueles que exercem o ministério de diáconos, pois desde os primórdios, os crentes serviam uns aos outros, conforme a necessidade de cada um (At. 4.32-37; II Co. 9.13) para a edificação do Corpo de Cristo (Ef. 4.12).

2. CRISTO, UM EXEMPLO DE SERVO: Jesus quis deixar aos seus discípulos o exemplo de serviço, e isso se fazia necessário porque, naqueles dias, assim como atualmente, são poucos os que querem servir, a maioria deseja mesmo é ser senhor (Mt. 20.20-27). Mesmo entre os discípulos havia a disputa a respeito de quem seria o maior no Reino de Deus. Em oposição a esse padrão, Jesus sempre se apresentou como um servo, que teria vindo ao mundo para servir, e não para ser servido (Mc. 10.45). Paulo reafirma essa doutrina ao declarar aos crentes de Filipos que Cristo, ao vir a terra, esvaziou-se da glória celeste, e assumiu a forma de servo (Fp. 2.5-8). No capítulo 13 de João, o Senhor revela a beleza do serviço cristão, e esse, na verdade, não se reverte, pelo menos na dimensão terrena, em ostentação, mas em sacrifício e humildade. Primeiramente, a motivação do relacionamento de Jesus com os discípulos era pautada no amor, Ele os amou até o fim (Jo. 13.1). O fundamento de todo e qualquer relacionamento deva ser o amor, aqueles que se assenhoreiam com base no poder jamais terão amigos de verdade. Aquela seria a celebração da última ceia antes de ser entregue às autoridades romanas para ser crucificado, o Diabo já havia se apossado do coração de Judas para trair o Senhor (Jo. 13.2). Mas Jesus sabia que tudo estava entregue nas mãos do Pai, e que Ele, em Sua soberania, controlaria todas as coisas (Jo. 13.3). Quando o cristão tem convicção do Senhorio de Deus, Ele não se adianta na busca por cargos, pois sabe que o Senhor tem as situações em Suas mãos. Com base nessa certeza, Jesus pegou a toalha e cingiu os lombos, numa atitude de alguém disposto a servir (Jo. 13.4). Em seguida, passou a lavar os pés de cada um dos seus discípulos, inclusive o de Judas, e a enxugá-los com a toalha (Jo. 13.5). Jesus mostrou condescendência até mesmo com aquele que haveria de trai-lo, do mesmo modo, o Senhor nos desafia a servir aqueles que nos fazem o mal. Pedro reconheceu que aquela era uma atitude humilhante, por isso, se opôs ao ato de Jesus (Jo. 13.6). Pedro não havia compreendido ainda a natureza do serviço cristão (Jo. 13.7). Há muitos hoje que não sabem ainda o que significa servir a Cristo e ao próximo. Não são poucos os que querem ser líderes na igreja, apenas para desfrutar das honrarias, que consideram ser inerentes aos cargos. Pedro se mostrou relutante em ter seus pés lavados por Jesus, reafirmou sua insatisfação diante daquela demonstração de serventia (Jo. 13.8). Lavar os pés das visitas era uma atitude comum naqueles tempos, mas geralmente desempenhada pelos mais simples serviçais da casa. Por essa razão Pedro pediu ao Senhor que não apenas lavasse os pés, mas as mãos e a cabeça (Jo. 13.9). Jesus destacou que eles estavam limpos, exceto Judas, mas que todos precisavam daquela lição (Jo. 13.10,11). Após aquele ato de demonstração de humildade e serviço Jesus interpretou, para os seus discípulos, seu significado. Jesus revelou ser, de fato, Mestre e Senhor, no entanto, ao invés de buscar honrarias, quis mostrar a sua disposição para o serviço (Jo. 13.12) e deixar a instrução para que seus discípulos fizessem o mesmo (Jo. 13.13,14). Portanto, aquele não era um ato apenas para ser admirado, mas para ser imitado na prática cotidiana (Jo. 13.15,17), considerando que, no Reino de Deus, maior é o que serve mais (Jo. 13.16).

3. UMA IGREJA QUE SERVE: A Igreja primitiva de Jerusalém aprendeu a lição do Mestre Jesus. Aquela não era uma Igreja perfeita, compreendemos que na medida em que essa começou a crescer, os problemas também apareceram (At. 6.1). O exemplo daqueles cristãos é digno de imitação, pois esses “perseveravam na doutrina dos apóstolos”, isto é, tinham disposição para o aprendizado, viviam “na comunhão”, no “partir do pão” e nas “orações” (At. 2.42). Os primeiros crentes temiam ao Senhor e “os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum”. Essa atitude não se tratava de um comunismo moderno, mas de uma disposição voluntária para servir ao próximo, pois “vendiam sua propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At. 2.44). Não que essa fosse uma realidade em todas as igrejas do primeiro século. Alguns estudiosos admitem que a pobreza dos irmãos de Jerusalém tenha resultado dessa generosidade “precipitada”. Mas essa não é uma interpretação apropriada do texto, pois Lucas, o escritor de Atos, aborda positivamente tal conduta. Evidentemente não podemos estipular essa entrega total dos bens como doutrina, já que não encontramos respaldo no contexto geral da Escritura, nem mesmo no próprio livro de Atos (At. 5.3). Contudo, o princípio de partilhar com os necessitados não pode ser descartado, pois o encontramos em várias passagens da Bíblia, que nos orientam a esse respeito: II Co. 8.9-15; 9.6-15; I Jo. 3.16-18. A Igreja que é cristã se preocupa com os necessitados, não fecha os olhos aqueles que padecem privações. A pregação do evangelho sempre tem prioridade, mas o ser humano precisa ser percebido em sua integralidade, isto é, espírito, alma e corpo (I Ts. 5.23).

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Galilei e a Igreja Católico Romana



Muitas pessoas já argumentaram sobre as divergências entre a religião e a ciência. Mas é importante salientar que seria melhor usar o termo "teologia", pois, a verdadeira ciência não conflita com a teologia ou à verdadeira religião, que interpreta corretamente as sagradas escrituras.


Bíblia sagrada e verdadeira ciência andam juntas, pois a ciência serviria para comprovar o que a Bíblia já havia nos mostrado. 



E ainda que haja muitas controvérsias sobre questões como; Quem parou, a terra ou o sol?  E outras. Venho relembrar o fato histórico do cientista Galilei  e a igreja católica romana. O interessante é que houve um reconhecimento por parte da liderança católico romano de que Galilei foi julgado erroneamente.


Vinte anos atrás, no dia 31 de outubro de 1992, o papa João Paulo II reconheceu os enganos cometidos pelo tribunal eclesiástico que condenou Galileu Galilei à prisão. Essa revisão de posicionamento, portanto, ocorreu 350 anos após a morte do cientista italiano. Galileu não dependia dessa absolvição para receber o galardão dos maiores nomes da história, mas o ato simbólico buscou corrigir uma das mais históricas injustiças cometidas pela igreja. O motivo da discórdia? Galileu defendia a tese de Copérnico de que a Terra não ficava no centro do Universo, e sim orbitava o Sol. Com uma interpretação literal da Bíblia, a Igreja Católica não aceitava que essa teoria fosse tratada como verdade - apenas como hipótese. Assim, Galileu foi obrigado a negar suas ideias publicamente e viver confinado em uma espécie de prisão domiciliar.
Esse é apenas um dos casos em que a religião colidiu com a ciência ao longo da história. O mito de Galileu e, sobretudo, da perseguição da Inquisição sobre ele, é tão forte que há gente que pensa que o astrônomo-físico-matemático-filósofo foi queimado pelos católicos. Na verdade, esse desagradável fim coube a Giordano Bruno, filósofo e teólogo contemporâneo e conterrâneo de Galileu. "Ele propôs a existência de outros planetas e possivelmente outras civilizações no Cosmos. O que gerou, para a Igreja, o curioso problema de ter de haver muitos Cristos", explica Gerson Egas Severo, coordenador do curso de Especialização em História da Ciência da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFF).

Talvez por medo de que seu destino se tornasse o mesmo de Bruno, ou então por imaginar que, mais tarde, as ideias que defendia seriam aceitas sem ressalvas, Galileu aceitou a condenação de afirmar, publicamente, que estava equivocado. Para Severo, o cientista foi um personagem fundamental na Revolução Científica do século 17. "Como o estabelecimento da ciência moderna envolvia necessariamente o esforço de distinguir claramente a cosmovisão e metodologia da ciência das narrativas de ordem religiosa, a encrenca se formou", opina.
Além de suas próprias e revolucionárias descobertas no campo da física e da astronomia, Galileu defendia com unhas e dentes a visão heliocêntrica de Nicolau Copérnico, em contraposição ao geocentrismo defendido pela Igreja Católica, no qual a Terra seria o centro do universo. Muitos religiosos admiravam a figura de Galileu, pelas suas descobertas, mas, com o protestantismo se expandindo, a igreja endurecia a sua doutrina e não abria mão da visão geocêntrica, o que levou o italiano ao tribunal. "Copérnico havia morrido um pouco antes da publicação de seu livro, o que o livrou de incomodações", lembra o professor Severo. "Mas as suas ideias foram levadas às últimas consequências matemáticas por Galileu, o que o levou, em seus derradeiros anos, aos bancos da Inquisição."

Especialmente na Idade Média, outros tantos pensadores foram perseguidos pela Santa Inquisição. Dos célebres, apenas Giordano Bruno teve o fim trágico na fogueira. Com ou sem tirania, a Igreja Católica, que durante muitos séculos monopolizava a distribuição de livros, proibiu a publicação de um grande número de autores. Isso se potencializou após a Reforma Protestante, quando foi lançada pelos católicos a primeira edição do Index Librorum Prohibitorum, uma lista de publicações literárias proibidas pela igreja. Além de Galileu e Copérnico, já tiveram obras proibidas no documento pensadores e escritores célebres como Maquiavel, Rousseau, Montesquieu, Vitor Hugo, Immanuel Kant, Descartes e tantos outros. "Após esses momentos cruciais da história da ciência, a relação entre ciência e religião prosseguiu difícil, tensa, cheia de idas e voltas", diz Severo.

Apesar da aproximação que presenciamos no século 21, o professor sugere que história, filosofia e sociologia ainda ajudarão a responder se o diálogo entre religião e ciência é possível. O Papa João Paulo II acreditava nessa união. No dia 31 de outubro de 1992, foram apresentadas as conclusões da comissão sobre a controvérsia ptolomaico-copernicana do século XVI e XVII, instaurada pelo então papa. "O erro dos teólogos da época, quando mantinham a centralidade da Terra, era o de pensar que o nosso entendimento da estrutura física do mundo era, de algum modo, imposto pelo sentido literal da Sagrada Escritura", afirmou João Paulo II.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Detalhes da crucificação


Cravos: tinham de 13 a 18 centímetros de comprimento por 1 centímetro de diâmetro.
Moscas: provavelmente foram atraídas pelo cheiro de sangue.
Mãos: perfurações no antebraço, entre o rádio e o cúbito, ou nas palmas, entre os metacarpos.
Feridas: o chicote romano (flagrum) tinha pedaços de ossos ou de metal nas pontas de suas três tiras, o que chegava a arrancar pedaços de pele e ferir órgãos internos. Cristo sofreu duas séries de 39 chicotadas. Ou seja, contando-se as três tiras, Ele levou 234 açoites.
Sofrimento espiritual e emocional: maior do que as dores físicas de Cristo foi Sua agonia espiritual. Um com o Pai desde a eternidade, sofreu Seu completo afastamento. Jesus foi misteriosamente feito “maldição” (Gl 3:13) em nosso lugar, levando sobre Si os pecados de todos.
Roupas: provavelmente Jesus foi exposto completamente nu perante a multidão.
Pés: foram pregados juntos ou separados. Os cravos e o peso do corpo castigavam os sensíveis nervos plantares.
Via Dolorosa: calcula-se que o trajeto que Cristo carregou a parte horizontal da cruz, de cerca de 30 quilos, foi entre 900 e 1.500 metros, até o Calvário. Em parte desse trajeto, a cruz foi levada por Simão, cireneu.

Escuridão: ao meio-dia, surgiu uma escuridão inexplicável em volta da cruz. Nela, Deus escondeu a agonia final de Seu Filho.
 
Multidão: assim como os líderes religiosos, a multidão era uma massa de manobra das forças do mal. Todos zombavam de Cristo, mas, com a escuridão, o terremoto e as palavras de Cristo, foram tomados pelo medo.
Calvário: localizava-se possivelmente onde hoje é a Igreja do Santo Sepulcro ou no Jardim de Gordon; uma elevação de quase 5 metros, que lembra uma caveira. O Jardim de Gordon é o local mais provável, pois se encontra fora dos muros da Jerusalém antiga
Mãe: Cristo sofreu por Sua mãe, que acompanhava Sua crucificação, e a entregou aos cuidados do discípulo João.
Placa: geralmente continha o nome e a condenação dos crucificados.
Coroa: provavelmente feita do espinheiro de Jerusalém (Paliurus spina christi) ou do espinheiro-de-cristo sírio, foi fixada e batida repetidamente sobre a cabeça de Cristo, ferindo o nervo trigêmeo, causando uma dor que nem a morfina é capaz de amenizar.
Sede: Jesus também sofreu ardente sede, pois não havia bebido nada desde a noite anterior, carregou a cruz, perdeu muito sangue e sofreu intensa febre, devido às inflamações.
Corpo: sofreu cãibras, espasmos, desidratação, policontusões e exalação insuficiente com retenção de gás carbônico no sangue e nos pulmões (hipercapnia).
“Vinagre”: desde que chegou ao Calvário, durante a crucifixão e ao fim dela, os soldados ofereceram-Lhe vinagre, vinho azedo misturado com água e vinho com mirra, para aliviar Sua dor, mas Cristo recusou-Se a bebê-las, para manter-Se consciente e não fugir à Sua missão.
Lança: quando a morte na cruz precisava ser adiantada, dava-se um “golpe de misericórdia”, chamado crucifragium, quebrando-se a tíbia (osso da canela). Mas isso não foi preciso, pois Jesus morreu antes. Para assegurarem Sua morte, Ele foi ferido com uma lança.
Sangue e água: a lança provavelmente atingiu o pericárdio e a pleura pulmonar, a qual reteve água devido à incapacidade de Jesus expirar completamente. Supõe-se que foi por essa razão que jorrou sangue e água da ferida.
Vitória: ao gritar “está consumado” (em gregotetelestai, que pode significar “está pago”), Jesus não morreu como uma vítima frágil, mas como um herói. Cumpriu Sua missão, salvou a humanidade.
Morte: provavelmente por parada cardiorrespiratória. Além dos sofrimentos físicos, o coração de Cristo não suportou o peso dos pecados da humanidade.
Terremoto: às 15 horas, após Cristo gritar duas vezes e dar Seu último suspiro, ocorreu um terremoto tremor que fendeu rochas e abriu túmulos.
Tempo na cruz: os crucificados permaneciam vivos de 18 horas a alguns dias. Jesus ficou na cruz entre as 9 horas e as 15 horas. Seus graves ferimentos e o sofrimento espiritual foram determinantes para Sua morte rápida.

A cruz e a tumba que Ele deixou

Mais detalhes sobre a morte e vitória de Cristo

Getsêmani: o sofrimento de Cristo começou pelo menos dez horas antes da cruz quando começou a sentir o peso dos pecados humanos. Seu sofrimento psicológico foi tão grande que O fez suar gotas de sangue. Esse fenômeno raro na literatura médica é conhecido como hematidrose.
Cruz: a pena de morte por crucificação já era praticada desde o século 6 a.C. por persas e babilônios, até que foi proibida pelo imperador Constantino, em 337 d.C. Há quatro tipos conhecidos de cruz: decussata (em forma de X), quadrata (em forma de +), comissa (em forma de T) e imissa (em forma da cruz, como a conhecemos). Certamente, a cruz de Cristo foi do tipo comissa ou imissa, pois a própria palavra para crucificar no Novo Testamento é stauros, que significa colocar em um tau (nome da letra T em grego).. Se considerarmos a necessidade de se pregar uma placa, é possível que a cruz como a conhecemos possa ter sido a utilizada.
Partes da cruz: as cruzes romanas eram compostas de duas partes: stipes e patibulum. A stipes era o poste, que geralmente permanecia no local de suplício e tinha cerca de 5 metros de altura e 70 quilos. O patibulum era a parte horizontal, geralmente carregada pelo condenado até o local de execução. Tinha cerca de 2,5 metros e por volta de 30 quilos. Possivelmente, o encaixe entre as duas partes era feito no chão, onde o crucificado era pregado, para depois ser erguido e a cruz ser encaixada no buraco previamente feito.
Assento: algumas cruzes tinham uma sedicula, pedaço de madeira fixado à altura do quadril para apoiar o corpo, facilitar a respiração e aumentar o tempo de suplício.
Embalsamamento: o ritual judaico de sepultamento durava entre cinco e seis horas, pois envolvia lavar o cadáver, perfumá-lo com aromas frescos, embalsamá-lo e envolvê-lo em faixas. Para se evitar esse trabalho no sábado, o ritual foi adiado para a manhã de domingo.
Deus, anjos: Deus estava ao pé da cruz, junto a Cristo, na escuridão misteriosa, compartilhando de Seu sofrimento, acompanhado de anjos celestiais.. Todos, porém, não podiam confortá-Lo Cristo teria que levar sozinho o peso dos nossos pecados.

O templo e as profecias: os sacrifícios realizados no Templo apontavam para Cristo, o “Cordeiro de Deus” (Is 53:5, 6, 10). O início da crucifixão foi exatamente no horário do sacrifício da manhã e o fim dela, no horário do sacrifício da tarde. Com a morte de Cristo, o antigo sistema sacrifical perdeu a validade, e o véu do Templo foi rasgado de cima a baixo (Mt 27:51). De acordo com a profecia das 70 semanas de Daniel (Dn 9:24-27), Cristo morreu no ano 31 d.C. Ou seja, a morte de Cristo teve data e hora marcadas.
Caifás: na casa desse sumo sacerdote, Jesus foi julgado. Em 1990, foi achado um ossuário, contendo a inscrição em hebraico: “José, filho de Caifás”.
Pilatos: arqueólogos italianos que escavavam um teatro romano em Jerusalém encontraram uma pedra com a inscrição latina: “Pôncio Pilatos, prefeito da Judeia”.
Julgamento: o julgamento de Cristo ocorreu durante a madrugada e à véspera de um sábado e de uma grande festa religiosa – três infrações do registro escrito das tradições judaicas, a Mishná, de acordo com o Sanhedrin 4,1.
Pretório: casa do governador romano da Judeia. Em seu pátio, Jesus foi julgado, castigado e condenado. Em 1930, escavações identificaram plataformas maciças do pátio da fortaleza Antônia. Nessas plataformas, estavam gravados alguns desenhos de jogos que soldados romanos faziam para passar tempo. As descrições desse pavimento (lithóstotos) são muito semelhantes ao que se relata em João 19:13.
Ressurreição: o anjo do mais alto posto celestial, revestido de luz, foi comissionado a chamá-Lo e rolou a pedra do sepulcro. Os guardas caíram ao chão. Posteriormente, os discípulos O viram, tocaram nEle, compartilharam uma refeição e conversaram com Ele.
Ressurreições: quando Jesus ressurgiu, outras pessoas ressuscitaram das sepulturas abertas no terremoto que ocorreu no momento de Sua morte (Mt 27:51-53).
A verdade: os discípulos mantiveram a versão de que Jesus ressuscitou, mesmo em face da morte e sem ganhar qualquer vantagem. Se isso não fosse verdade, pelo menos um deles negaria o fato.

Ele cumpriu a missão e ressuscitou!

Fontes adicionais:
Rubén Dario Camargo (artigo “Fisiopatologia da morte de Cristo”); Rodrigo Cardoso (reportagem “Como Jesus foi crucificado?” IstoÉ, de 1/4/2010); Rodrigo Silva (Escavando a Verdade, CPB, 2007 e A Arqueologia e Jesus, Perspectiva, 2006); Frederick Zugibe (A Crucificação de Jesus, Matrix, 2010).



Juventude precoce

  

Há um texto em Eclesiastes que gosto muito, e pensando no que acontece no nosso país onde é cultural sermos pedantes, querermos realizar antes da hora, ainda que não devemos esperar saber tudo para começar a influenciar alguém,m quando queremos mudar o mundo antes de saber o que é mundo, podemos estar preparando um grande abismo para nossa queda.

Tudo tem o seu  tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
(Ec 3.1).

Infelizmente há um sistema que se aproveita disso para nos tornar manipuláveis, mas como disse Jesus, "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", de fato o conhecimento genuíno liberta.

A respeito deste assunto achei o por bem compartilhar esta ilustre nota a seguir;

Geração perdida

Olavo de Carvalho
Jornal da Tarde, São Paulo, 3 de agosto de 2000
Hyppolite Taine conta que, aos 21 anos, vendo-se eleitor, percebeu que nada sabia do que era bom ou mau para a França nem das ideologias em disputa na eleição. Absteve-se de votar e começou a estudar o país. Décadas depois, vieram à luz os cinco volumes das Origines de la France Contemporaine (1875), um monumento da ciência histórica e um dos livros mais esclarecedores de todos os tempos. O jovem Taine não votou, mas o Taine maduro ajudou muitas gerações, na França e fora dela, a votar com mais seriedade e conhecimento de causa, sem deixar-se iludir pelas falsas alternativas da propaganda imediata. Saber primeiro para julgar depois é o dever número um do homem responsável – dever que o voto obrigatório, sob a escusa de ensinar, força a desaprender.
Taine foi muito lido no Brasil, e seu exemplo deu alguns frutos. Entre os que tiveram seu caminho de vida decidido pela influência dele contou-se o jovem Affonso Henriques de Lima Barreto. Ele aprendeu com Taine que as coisas podem não ser o que parecem. Como romancista, ele fixou a imagem da ambigüidade constitutiva das atitudes humanas no duelo de personalidades do major Quaresma com Floriano Peixoto, onde o passadista se revela um profeta e o progressista um ditador tacanho e cego. Mas a mensagem dessa história, ainda que consagrada pelo cinema, não se impregnou na mente das novas gerações. Talvez não venha a fazê-lo nunca, precisamente porque, amputada da ética taineana da prioridade do saber, que lhe serve de moldura, ela se reduz a uma observação casual que pode ser dissolvida numa enxurrada de lugares-comuns. Hoje, de fato, raramente se encontra um jovem que não queira, antes de tudo, “transformar o mundo”, e que, em função desse “parti pris”, não adie para as calendas gregas o dever de perguntar o que é o mundo.
Sim, no Brasil cultura e inteligência são coisas para depois da aposentadoria. Quando todas as decisões estiverem tomadas, quando a massa de seus efeitos tiver se adensado numa torrente irreversível e a existência entrar decisivamente na sua etapa final de declínio, aí o cidadão pensará em adquirir conhecimento – um conhecimento que, a essa altura, só poderá servir para lhe informar o que ele deveria ter feito e não fez. Antevendo as dores inúteis do arrependimento tardio, ele então fugirá instintivamente do confronto, abstendo-se de julgar sua vida à luz do que agora sabe.
Embalsamado num nicho de diletantismo estético, o conhecimento perderá toda a sua força iluminante e transfiguradora, reduzindo-se a um penduricalho inócuo, adorno inofensivo de uma velhice calhorda. Eis onde termina a vida daquele que, na juventude, em vez de esperar até compreender, cedeu à tentação lisonjeira do primeiro convite e se tornou um “participante”, um “transformador do mundo”.
Eu também caí nessa, mas tive a sorte de minha carreira de transformador do mundo ser detida, logo no início, por uma chuva de perplexidades paralisantes que me forçaram a largar tudo e a ir para casa pensar. Acossado de perguntas que ultrapassavam minha capacidade de resposta, fui privado, pelo bom Deus, da oportunidade de tentar moldar o mundo à imagem da minha própria idiotice.
Mas essa sorte é rara. O Brasil é o país do gênio prematuro, degradado em bobalhão senil logo na primeira curva da maturidade. Quando contemplo esse circo decrépito da revista Bundas, onde cômicos enferrujados se esforçam para repetir as “performances” de 30 anos atrás, que na sua imaginação esclerosada se petrificaram em emblemas estereotipados de “vida” e “juventude”; quando, lendo Caros Amigos, vejo homens de cabelos brancos se esfalfando para recuperar sua imagem idealizada de patota juvenil dos “Anos Dourados”, não posso deixar de notar que em todas essas pessoas que falam em nome do futuro o sentimento dominante é a saudade de si mesmas. Não falta a esses indivíduos a consciência de que suas vidas falharam. Mas atribuem a culpa aos outros, ao governo militar que impediu sua geração de “chegar ao poder”. No entanto, a desculpa é falsa, porque, mal ou bem, eles estão no poder. Eram jovens militantes, hoje são deputados, são catedráticos, são escritores de sucesso, são formadores de opinião. Por que, então, lambem com tanta nostalgia e ressentimento as feridas da sua juventude perdida? É porque ela foi perdida num sentido muito mais profundo e irremediável que o da mera derrota política. E agora é tarde para voltar atrás.

domingo, 4 de agosto de 2019

Koinonia importância



No Novo Testamento, a palavra grega para comunidade é koinonia, uma comunidade de homens e mulheres que crêem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas. Esta comunidade cristã é a nova humanidade. Em união com o Cristo ressurreto, ela compartilha de Sua vida e sua energia interior flui para dentro dela. Na união com Ele, concretizada pelo arrependimento e fé, os pecadores salvos pela graça de Deus são indissoluvelmente incorporados nesta comunidade, unidos ao corpo de Cristo.

O seu futuro está unido ao Dele simplesmente porque a igreja é o Seu corpo, do qual Ele é “o cabeça” (Ef 1:22). Este corpo é único já que Cristo “destruiu a barreira, o muro de inimizade” (Ef 2:14) – não há mais judeus ou gentios, homens ou mulheres, escravos ou libertos. Todos em Cristo se tornaram um com Ele e com os outros. Os membros da igreja são espiritualmente um (Ef 4:1-6). De uma maneira bem simples, a igreja como corpo tem crentes em Cristo como seus membros. Isso é autenticado pela presença do Espírito Santo não apenas individualmente, mas na comunidade. A igreja dá prioridade a sua formação pelo Espírito como uma comunidade de discipulado mútuo e discernimento comunitário. Charles Van Engen escreve a respeito:

A nova presença de Jesus Cristo na comunhão de amor (koinonia) dos discípulos constitui a Igreja. Sem essa presença de Cristo, não há nenhuma Igreja. Como podemos esquecer com tanta facilidade que é somente no âmbito do amor do discípulo pelo Senhor e de um discípulo pelo outro que a Igreja tem alguma vida? O que Paulo afirmou em I Coríntios 13 vem a propósito: se a Igreja é una, santa, católica (universal) e apostólica, mas não tem amor, nada é. Servindo de base a tudo o mais, repousa o marco supremo do povo de Deus - o amor. Se a Igreja não for, em primeiro lugar, à comunidade de amor, a Palavra e o Sacramento são um esforço vão. Nessa “era entre as eras”, a Igreja deve mais uma vez ouvir a voz de seu Senhor (van Engen, ano, p.).

Esta idéia de koinonia é fundamental para a nossa compreensão da igreja. Este ministério, para que seja efetivo, requer uma demonstração da unidade antes que possa sequer falar de reconciliação ou participar de qualquer mediação significativa em conflitos. Como falar em resolução de conflitos se não sabemos lidar com nossas diferenças? O fracasso de muitas igrejas de alcançar igualdade entre seus membros e integração entre as classes sociais silencia a mensagem de paz social. Cada vez mais, as igrejas falam “da boca para fora” de sua unidade, mas se mostram como grupos etnocêntricos e ensimesmados, na realidade. Ajith Fernando, um respeitado líder e estudioso asiático, em sua exposição sobre Efésios 2:13-16 a respeito de como a cruz quebra as barreiras das diferenças e divisões, escreveu:



O preconceito tem sido um problema porque todos estamos embebidos dos preconceitos de nosso meio, onde se afirma ser um grupo superior a outro. Vindo de uma nação na qual a tensão étnica tem causado muito caos, posso dizer que, mesmo com respeito aos cristãos, os nossos preconceitos estão entre as últimas coisas que o processo de santificação toca. Os preconceitos podem dizer respeito à raça, classe, casta ou a outro destes fatores terrenos que não são significativos na visão de Deus. Aqueles que afirmam que não são preconceituosos são normalmente os mais preconceituosos. E algumas vezes, os que afirmam ser cristãos crentes na Bíblia são os mais anti-bíblicos com respeito a este assunto (Fernando, 1995, p. 198-199).

Como os crentes podem estar em unidade quando há uma série de razões para a diversidade? As igrejas, normalmente, estão divididas por causa de personalidade, cultura, denominacionalismo, doutrinas, etc. A imagem que Paulo tem da igreja reflete o mistério da “multiforme sabedoria de Deus”, e significa brilhante como as cores do arco-íris e variada como as múltiplas cores de um campo de flores (Ef 3:10). Ou seja, a unidade cristã deve ser baseada na diversidade. De outra maneira, se fosse sem diversidade, ela se tornaria uniformidade. A igreja tem muitas partes como um corpo, mas é um só corpo (1 Co 12). A unidade essencial dos crentes deve ser experimentada nos relacionamentos multi-classiais, multiculturais e interdenominacionais, como testemunho da Nova Criação em Cristo.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Batismo nas águas resenha


  A palavra batismo tem origem na palavra grega baptisma (“batismo”, substantivo) ou baptizo (“batizar”, verbo). Praticado no Novo Testamento por João (Mt 3.1-6), como demonstração pública de arrependimento e preparação para chegada do Reino de Deus; e praticado posteriormente pelos discípulos de Jesus (Jo 4.1-2), como uma forma de ingressar na comunidade cristã.

Os que estão divididos sobre qual é a forma adequada e bíblica de se realizar o batismo: se por imersão (com a pessoa sendo totalmente mergulhada em águas), se por aspersão (com um pouco d’água sendo jogada sobre a pessoa) ou se por efusão (com água abundante derramada sobre a cabeça do batizando. Mas todos admitem que o elemento água deve estar presente obrigatoriamente, dado seu valor simbólico de purificação, tal qual fora utilizado na igreja primitiva.
Há ainda quem questione se o batismo deve ser feito em águas paradas (como num tanque ou piscina) ou em águas correntes de rios, como João Batista que batizava no rio Jordão. Mas esta é uma questão de menor relevância entre os protestantes, e para a qual a Bíblia não impõe nenhuma obrigação. (De ser em águas correntes).
A Bíblia não oferece uma resposta objetiva e pontual sobre esta questão com aquela clareza que gostaríamos para resolver todo embate entre os cristãos ao longo dos séculos. Diante disso, a maioria das igrejas evangélicas batiza apenas pessoas que possam fazer uma consciente confissão de fé em Cristo, mas há igrejas que batizam até mesmo bebês, desde que sejam filhos de crentes (são chamadas igrejas “pedobatistas”).

Fato é que não temos nenhum caso seguro de crianças sendo batizadas nas águas no Novo Testamento.

Natal Vitoriano


O Que já foi muito polêmico entre os Cristãos da América do sul. Neste artigo conta que o um dos mais ilustres iniciantes da reforma protestante poderia ter sido um adepto da comemoração do natal vitoriano. Extremamente normal e cultural entre os Germânicos, ingleses e outros no século XVIII.
Mais sobre, no link abaixo
https://trapezia.com.br/como-era-o-natal-na-era-vitoriana/

domingo, 28 de julho de 2019

Tentação observação



TENTAÇÃO


Ela em si não constitui pecado, porém atender as suas reivindicações caracteriza a transgressão da Lei de Deus.
Dicionário Aurélio – Disposição de ânimo para a prática de coisas diferentes ou censuráveis. Desejo veemente.
 John Owen disse em seu livro - “Cair na tentação é experimentar a tentação na sua forma mais poderosa e perigosa”.
 Segundo a Enciclopédia de Filosofia e Teologia de R. N. Champlin – Existe uma palavra hebraica e duas gregas envolvidas neste verbete:
“Massah” palavra hebraica que significa: teste, provação.

“Peiramós” palavra grego que significa: prova, teste e aparece vinte vezes na Bíblia Sagrada.
“Peirázo” palavra grega que significa: testar, submeter à prova. Aparece trinta vezes na Bíblia Sagrada.
Na verdade tentação no grego significa “Peirasmos” ou seja, a tentação para prática do mal.

  Se você tem vontade de fazer uma coisa errada, não significa que você é uma pessoa ruim. A Bíblia diz que todos nós somos tentados de vez em quando. (1 Coríntios 10:13) O que realmente importa é o que nós fazemos quando enfrentamos uma tentação. Algumas pessoas ficam pensando em coisas erradas e, mais cedo ou mais tarde, acabam fazendo aquilo. Outras imediatamente tiram o pensamento errado da cabeça.
“Cada um é provado ao ser atraído e seduzido pelo seu próprio desejo.” 
Tiago 1:14.
Por que é bom agir logo que a tentação aparecer?
COMO A BÍBLIA PODE AJUDAR
A Bíblia mostra quais são os passos que levam uma pessoa a fazer uma coisa errada. Tiago 1:15 diz: “O desejo [errado], quando se torna fértil, dá à luz o pecado.” Quando uma mulher está grávida, o filho dela com certeza vai nascer. Da mesma forma, quando ficamos pensando numa coisa errada, vai chegar uma hora em que vamos acabar fazendo aquilo. Mas os desejos errados não precisam mandar em nós. Nós podemos controlá-los.
Assim como a nossa mente pode alimentar desejos errados, nós podemos fazer com que eles morram de fome. Como? Por nos concentrar em outra coisa como, por exemplo, conversar com um amigo, pensar em algo positivo ou fazer alguma outra atividade. (Filipenses 4:8) O que também pode ajudar é pensar nas consequências que vamos sofrer se não resistirmos à tentação. Cair em tentação pode trazer problemas emocionais, físicos e até espirituais. (Deuteronômio 32:29) Orar a Deus também ajuda muito. Jesus Cristo disse: “Orem continuamente para que não caiam em tentação.” — Mateus 26:41.